Atividade física e poluição atmosférica

  • Matheus Cavalcante De Sá Departamento de Otorrinolaringologia e Cirurgia de Cabeça e Pescoço da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP)
  • Roberta Foster Departamento de otorrinolaringologia e cirurgia de cabeça e pescoço da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP)
  • Juliana de Melo Batista dos Santos UNIFESP - Departamento de Ciência do Movimento Humano - programa de Pós Graduação em Ciências do Movimento Humano e Reabilitação
  • Lucas Guimarães Pagani Departamento de otorrinolaringologia e cirurgia de cabeça e pescoço da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP)
  • Catherine Machado Katekaru Departamento de otorrinolaringologia e cirurgia de cabeça e pescoço da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP)
  • Luis Antonio Luna Junior Departamento de otorrinolaringologia e cirurgia de cabeça e pescoço da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) e Programa Mackenzie de qualidade de vida e saúde (QualiMack)
  • Marilia Ramos Farrajota Departamento de otorrinolaringologia e cirurgia de cabeça e pescoço da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP)
  • Rosana Lobão Antunes Departamento de otorrinolaringologia e cirurgia de cabeça e pescoço da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP)
  • Roberio Pereira Pires Departamento de otorrinolaringologia e cirurgia de cabeça e pescoço da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP)
  • Karina Pantaleão Hilaria da Silva Departamento de otorrinolaringologia e cirurgia de cabeça e pescoço da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP)
  • Francys Hellen Gentil Damian Departamento de otorrinolaringologia e cirurgia de cabeça e pescoço da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP)
  • Andre Luis Lacerda Bachi Programa de Pós graduação em Ciências da Saúde, Universidade Santo Amaro (UNISA), São Paulo
  • Mauro Walter Vaisberg
Palavras-chave: Exercício Físico, Poluição atmosférica, Inflamação, Via aérea

Resumo

Nos centros urbanos, muitas doenças estão relacionadas à poluição do ar, sendo causa de aumento de morbidade e mortalidade. O desenvolvimento do Brasil, com o aumento do parque industrial, o crescimento da frota leve e pesada e a expansão da fronteira produtiva, levou a desafios para a determinação dos impactos da poluição à saúde humana.  Em contraponto ao processo inflamatório sistêmico induzido pela exposição à poluição, alguns mecanismos anti-inflamatórios fisiológicos podem representar importantes moduladores da resposta à poluição, sendo um deles o treinamento físico que modula a resposta inflamatória inata e adquirida. De maneira geral, os efeitos protetores do treinamento físico aeróbio são mediados via interação dos sistemas imunológico e neuroendócrino e através de sinais moleculares na forma de hormônios,  citocinas e neurotransmissores, havendo, conforme demonstrado por Sá, melhora das defesas de vias aéreas quando o exercício é praticado, mesmo em ambientes poluídos, porém havendo limitação da capacidade do exercício modular a resposta inflamatória em ambiente muito poluídos, de maneira que deve ser ressaltado que sempre devemos procurar praticar o exercício em horários e locais com o mínimo de poluição.

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Publicado
2020-08-04
Como Citar
De Sá, M. C., Foster, R., dos Santos, J. de M. B., Pagani, L. G., Katekaru, C. M., Luna Junior, L. A., Farrajota, M. R., Antunes, R. L., Pires, R. P., da Silva, K. P. H., Damian, F. H. G., Bachi, A. L. L., & Vaisberg, M. W. (2020). Atividade física e poluição atmosférica. RBPFEX - Revista Brasileira De Prescrição E Fisiologia Do Exercício, 13(88), 1470-1476. Recuperado de http://www.rbpfex.com.br/index.php/rbpfex/article/view/1960
Seção
Artigos Científicos - Revisão