O exercício de barra fixa executado por praticantes de crossfit e suas relações com lesões na articulação glenoumeral

  • Julia Valério de Mendonça Escola Superior de Educação Física de Jundiaí-ESEF, Jundiaí, São Paulo, Brasil.
  • Davi Galvão de Melo Escola Superior de Educação Física de Jundiaí-ESEF, Jundiaí, São Paulo, Brasil.
  • Felipe Augusto da Cruz Escola Superior de Educação Física de Jundiaí-ESEF, Jundiaí, São Paulo, Brasil.
  • Thainá Oliveira Gonçalves Centro Universitário Nossa Senhora do Patrocínio, Universidade Cruzeiro do Sul, Itu, São Paulo, Brasil.
  • Marcelo Rodrigues da Cunha Centro Universitário Nossa Senhora do Patrocínio, Universidade Cruzeiro do Sul, Itu, São Paulo, Brasil; Faculdade de Medicina de Jundiaí, Jundiaí, São Paulo, Brasil.
  • Raphael Oliveira Ramos Franco Netto Faculdade de Medicina de Jundiaí, Jundiaí, São Paulo, Brasil.
  • Tiago Negrão Centro Universitário Nossa Senhora do Patrocínio, Universidade Cruzeiro do Sul, Itu, São Paulo, Brasil; Faculdade de Medicina de Jundiaí, Jundiaí, São Paulo, Brasil.
  • Marcelo Conte Escola Superior de Educação Física de Jundiaí-ESEF, Jundiaí, São Paulo, Brasil.
  • Victor Augusto Ramos Fernandes Escola Superior de Educação Física de Jundiaí-ESEF, Jundiaí, São Paulo, Brasil; Centro Universitário Nossa Senhora do Patrocínio, Universidade Cruzeiro do Sul, Itu, São Paulo, Brasil; Faculdade de Medicina de Jundiaí, Jundiaí, São Paulo, Brasil.
Palavras-chave: Fenômenos biomecânicos, Articulação do Ombro, Exercício, Lesão musculoesquelética, Esporte

Resumo

Objetivo: Investigar relações entre lesões na articulação glenoumeral e a cinemática do movimento barra fixa executado por praticantes da modalidade CrossFit. Materiais e Métodos: 7 praticantes avançados na modalidade executaram três repetições do movimento de barra fixa e foram filmados para a coleta de dados a respeito dos ângulos articulares da articulação glenoumeral. A análise cinemática foi realizada com o software Kinovea®. Resultados: Os voluntários apresentaram um ângulo da articulação glenoumeral acima de 90° na fase média - momento em que o ombro se encontra em elevação e abdução -, posição de alto risco de lesão por impacto subacromial em razão do grau elevado e a uma maior tendência a erros técnicos por fadiga ou desequilíbrios musculares, acarretando à sobrecarga na articulação do ombro. As mulheres atingiram ângulos menores de adução em comparação com os homens e apresentaram um encolhimento dos ombros, ambas ações compensatórias e propensas a lesões por impacto devido a uma maior ativação do trapézio superior e menor ativação do serrátil anterior, aumento da inclinação anterior da escápula e predisposição a uma rotação interna do úmero. Conclusão: Os resultados indicam um potencial de lesão na articulação glenoumeral no exercício barra através das técnicas do CrossFit, no qual deve-se realizar um alto número de repetições. Deste modo faz-se importante um planejamento adequado do volume de treinamento no CrossFit e de exercícios focados no controle do movimento, fortalecimento, reparação de possíveis desequilíbrios musculares e mobilidade dos ombros.

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Publicado
2021-11-07
Como Citar
Mendonça, J. V. de, Melo, D. G. de, Cruz, F. A. da, Gonçalves, T. O., Cunha, M. R. da, Franco Netto, R. O. R., Negrão, T., Conte, M., & Fernandes, V. A. R. (2021). O exercício de barra fixa executado por praticantes de crossfit e suas relações com lesões na articulação glenoumeral. RBPFEX - Revista Brasileira De Prescrição E Fisiologia Do Exercício, 15(96), 182-193. Recuperado de http://www.rbpfex.com.br/index.php/rbpfex/article/view/2349
Seção
Artigos Científicos - Original