Exercício físico e temperatura ambiente

  • Christiano Eduardo Veneroso Grupo de Pesquisa e Estudo sobre o Futsal e o Futebol no Departamento de Educação Física da Universidade Federal do Maranhão
  • Thiago Teixeira Mendes Universidade Federal de Minas Gerais, Universidade Federal do Maranhão - Campus Pinheiro, Educação Física

Resumo

O Instituto Brasileiro de Pesquisa e Ensino em Fisiologia do Exercício - IBPEFEX - trabalhando com o objetivo de publicar/ divulgar a produção cientifica no âmbito da Prescrição do Exercício Físico com parâmetros na fisiologia do exercício, do esforço e humana, no âmbito da saúde, do esporte, da educação, e do lazer tanto de caráter coletivo como no individual através da Revista Brasileira de Prescrição e Fisiologia do Exercício - RBPFEX - vem através desse numero, divulgar os trabalhos de autores/pesquisadores que apresentaram seus estudos/ pesquisas, para apreciação dos leitores.

Colaborando com esse intuito, o presente editorial sobre Exercício Físico e Temperatura e Ambiente afirma que a exposição prolongada ao ambiente quente pode, especialmente para indivíduos não aclimatados ao ambiente quente, levar à hipertermia, um quadro que apresenta um desafio à sobrevivência, conforme evidenciado pelas taxas elevadas de morbidade e mortalidade associadas às ondas de temperaturas elevadas.

De acordo com dados Centro de controle e prevenção de doenças, estima-se que, entre 1979 e 2003, o choque hipertérmico tenha causado a morte de mais norte-americanos do que os efeitos combinados de outros fenômenos naturais, tais como furacões, raios, terremotos, inundações e tornados

Uma onda de temperaturas elevadas no verão de 2003, na qual a média da temperatura ambiente permaneceu, durante duas semanas, 3,5o C acima dos valores médios comumente registrados no período, causou mais de 35.000 mortes na Europa e mais de 1.600 na Índia. No entanto, o número de mortes causadas pode ser bem maior, pois muitos sobreviventes sucumbem à falência múltipla dos órgãos durante os meses e anos seguintes ao evento.

No Brasil, ainda não estão disponíveis dados nacionais sobre a mortalidade causada pelas temperaturas elevadas, uma vez que o Ministério da Saúde não inclui o choque hipertérmico (ou hipertermia) nos indicadores de mortalidade do Sistema Único de Saúde.

O controle da temperatura corporal é realizado através de ajustes autonômicos e comportamentais para a produção (termogênese e tremor) e dissipação de calor corporal (vasodilatação, produção de suor, aumento da superfície exposta ao ambiente), o que permite a manutenção da temperatura corporal em ambientes com diferentes temperaturas.

Entretanto, durante atividade física, há um desafio termorregulatório para manutenção da temperatura interna, pois a maior parte da energia transformada pelo metabolismo energético, que aumenta de 3 a 12 vezes durante o exercício em relação ao repouso, é liberada em forma de calor, o que, poderia aumentar a temperatura corporal em 1ºC a cada 5 minutos, caso os mecanismos de termorregulação não fossem ativados.

Desta forma, à medida que o exercício continua, o calor liberado pelo metabolismo cria um desafio adicional a homeostase térmica e, em situações que a capacidade de dissipação é menor do que a produção de calor há aumento da temperatura corporal, gerando uma taxa de acúmulo de calor que pode acarretar numa temperatura superior à 39ºC em exercícios prolongados.

Em situações de exercício em ambiente quente (situação de menor capacidade de dissipação de calor) são observados maior temperatura interna, frequência cardíaca e percepção subjetiva de esforço durante o exercício de mesma intensidade, ou redução do desempenho físico em atividades que o indivíduo pode regular a intensidade do esforço.

Estratégias e recomendações devem ser adotadas por profissionais que prescrevem exercício físico no intuito de minimizar os efeitos deletérios da prática de esporte em ambiente quente e a principal estratégia seria a aclimatação, mas outros fatores como o estado de hidratação e o uso de técnicas de resfriamento corporal são algumas formas de tentar reduzir os efeitos antes, durante e após competições ou treinamentos em ambiente quente.

 

Cordialmente, 

Publicado
2015-08-26
Como Citar
Veneroso, C. E., & Mendes, T. T. (2015). Exercício físico e temperatura ambiente. RBPFEX - Revista Brasileira De Prescrição E Fisiologia Do Exercício, 9(52), 110-113. Recuperado de http://www.rbpfex.com.br/index.php/rbpfex/article/view/965
Seção
Editorial