Avaliação da autonomia funcional, capacidades físicas e qualidade de vida de idosos fisicamente ativos e sedentários

Frederico Lemos Ribeiro de Moraes, Priscila Corrêa, Wagner Santos Coelho

Resumo


Introdução: A manutenção da autonomia funcional é determinante para garantir a qualidade de vida de indivíduos idosos e a prática regular e adequada de exercícios físicos representa uma importante estratégia para este fim. Objetivo: Este estudo objetivou avaliar a autonomia funcional, capacidades físicas e qualidade de vida de idosos engajados em atividades físicas nas academias da terceira idade. Materiais e Métodos: Os sujeitos foram divididos em grupo controle (CON), com sedentários; fisicamente ativo entre 60 e 70 anos (A60+) e fisicamente ativo acima de 70 anos (A70+). Foram aplicadas; a bateria de teste de autonomia funcional do grupo de desenvolvimento latino americano para a maturidade, os testes de sentar e levantar, sentar e alcançar e de marcha estacionária e o questionário de qualidade de vida, abreviado, da organização mundial da saúde. Procedeu-se análises de variância ANOVA e modelo de regressão linear (p<0,05). Resultados e Discussão: Os resultados estão apresentados como média ± DP para os grupos CON, A60+, A70+ respectivamente. O índice geral de autonomia funcional foi de 31,8 ± 7,1, 32,9 ± 6,9 e 39,09 ± 9,6 classificando todos os grupos como fraco. A capacidade aeróbia revelou diferenças estatísticas entre os grupos CON (109,8 ± 29,1) e A60+ (155,8 ± 25,2). A percepção da qualidade de vida foi de 15,6 ± 3,1, 15,8 ± 2,8 e 18,1 ± 2,1 indicando de regular a boa satisfação pessoal quanto à qualidade de vida. Conclusão: Conclui-se que a prática de exercício promove manutenção satisfatória da qualidade de vida, entretanto as capacidades físicas associadas à autonomia funcional estão aquém do ideal para essa população.

 

ABSTRACT 

Evaluation of functional autonomy, physical capabilities and quality of living of physically active and sedentary people

Introduction: Functional Independence in elderly is a key factor toward quality of live maintenance, which can be achieved through adequate and regular physical practice engagement. Aim: This study aimed at evaluates functional activity, physical capacities and quality of life in elderly engaged in physical activities. Materials and Methods: Subjects were divided in three groups, control (CON), composed of sedentary individuals, A60+ with active subjects aged between 60-70 years old and A70+ with active people older than 70 years old. The GDLAM functional autonomy battery, sit and rising, sit and reach and stationary walk tests were applied along with world health organization quality of life brief questioner. Data were analyzed with ANOVA and linear regression (p<0.05). Results and Discussion: Results are presented as media ± SD for COM, A60+ and A70+ respectively. Functional autonomy general index of all groups 31.8 ± 7.1, 32.9 ± 6.9 e 39.09 ± 9.6 were classified as weak. Aerobic capacity revealed statistical differences between CON (109.8 ± 29.1) versus A60+ (155.8 ± 25.2) groups. Quality of life perception was 15.6 ± 3.1, 15.8 ± 2.8 e 18.1 ± 2.1 indicating regular to good individual satisfaction. Conclusions: Physical activity promotes quality of life in elderly; however physical capacities associated with functional autonomy are poorly classified in the studied population.  


Palavras-chave


Idoso; Qualidade de Vida; Saúde do Idoso

Texto completo:

PDF

Referências


-Alencar, N.A.; Souza Junior, J.V.; Aragão, J.C.B.; Ferreira, M.A.; Dantas, E. Nível de atividade física, autonomia funcional e qualidade de vida em idosas ativas e sedentárias. Fisioterapia e Movimento. Curitiba. Vol. 23. Num. 3. 2010. p. 473-481.

-Altermann, C.D.C.; Martins A.S.; Carpes F.P.; Mello-Carpes P.B. Influence of mental practice and movement observation on motor memory, cognitive function and motor performance in the elderly. Brazilian Journal Physical Therapy. Vol. 18. Num. 2. 2014. p. 201-209.

-American College of Sports Medicine. Diretrizes do ACSM para os testes de esforço e sua prescrição. 6ª edição. Rio de Janeiro. Guanabara Koogan. 2003.

-Antunes G.; Mazo G.Z.; Balbé G.P. Relação da autoestima entre a percepção de saúde e aspectos sociodemográficos de idosos praticantes de exercício físico. Revista de Educação Física/UEM. Maringá. Vol. 22. Num. 4. 2011. p. 583-589.

-Araujo, C.C.R.; Silveira, C.; Simas, J.P.N.; Zappelini, A.; Parcias, S.R.; Guimarães, A.C.A. Aspectos cognitivos e nível de atividade física de idosos. Saúde. Santa Maria. Vol. 41. Num. 2. 2015, p. 193-202.

-Benedetti, T.R.B.; Petroski, E.L. Idosos asilados e a prática de atividade física. Revista Brasileira de Atividade Física e Saúde. Vol. 4. Num. 3. 1999. p. 5-16.

-Borges, S.M.; Aprahamian, I.; Radanovic, M.; Forlenza, O.V. Psicomotricidade e Retrogênese: considerações sobre o envelhecimento e a doença de Alzheimer. Revista de Psiquiatria Clinica. Vol. 37. Num. 3. 2010, p. 131-137.

-Dantas, E.H.M.; Vale, R.G.S. Protocolo GDLAM de avaliação da autonomia funcional. Fitness e Performance Journal. Vol. 3. Num. 3. 2004. p. 175-183.

-Fonseca, V. Psicomotricidade: filogênese, ontogênese e retrogênese. 3ª edição. Rio de Janeiro. Wak Editora. 2009. p. 309-337.

-Frontera, W.R.; Bigard, X. The benefits of strength training in the elderly. Science and Sports. Vol. 17. Num. 3. 2002. p. 109-116.

-Gillespie L.D.; Robertson M.C.; Gillespie W.J.; Lamb, S.E.; Gates, S.; Cumming R.G.; Rowe, B.H. Interventions for preventing falls in older people living in the community (Review). Cochrane Database Systemic Review. Vol. 15. Num. 2. 2009).

-Governo do Estado do Rio de Janeiro - Secretaria do Estado de envelhecimento saudável e qualidade de vida - Projeto 3ª idade saudável. 2015. Disponível na internet em: Acesso em: 12/08/2015.

-Guedes, M.B.O.G.; Lopes, J.M.; Andrade A.S.; Guedes, T.S.R.; Ribeiro, J.M.; Cortez, L.C.A. Validação do teste de marcha estacionária de dois minutos para diagnóstico da capacidade funcional em idosos hipertensos. Revista Brasileira de Geriatria e Gerontologia. Rio de Janeiro. Vol. 18. Num. 4. 2015. p. 921-926.

-Guimarães, A.C.; Rocha, C.A.Q.C.; Gomes, A.L.M.; Cader, S.A.; Dantas, E.H.M. Efeitos de um programa de atividade física sobre o nível de autonomia de idosos participantes do programa de saúde da família. Fitness and Performance Journal. Vol. 7 Num. 1. 2008. p. 5-9.

-Guite, H.F.; Clark, C.; Ackrill, G. The impact of the physical and urban environment on mental well-being. Public Health. Vol. 120. 2006. p. 1117-1126.

-Harrison, M.B.; Juniper, E.F.; Mitchell-DiCenso, A. Quality of life as an outcome measure in nursing research: “May you have a long and healthy life”. Canadian Journal of Nursing Research. Vol. 28. Num. 3. 1996, p. 49-68.

-Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Expectativa de vida. 2012.

-Martinez, P.Y.O.; López, J.A.H.; Hernández, A.P.; Dantas, E.H.M. Effects of periodized water exercise training program on functional autonomy in elderly women. Nutrición Hospitalaria. Vol. 31. Num. 1. 2015. p. 351-356.

-Matsubayashi, Y.; Asakawa, Y.; Yamaguchi, H. Low-frequency group exercise improved the motor functions of community-dwelling elderly people in a rural area when combined with home exercise with self-monitoring. Journal of Physical Therapy Science. Vol. 28. 2016. p. 366-371.

-Matsudo, S.M.; Matsudo, U.K.R.; Neto, T.L.B. Impacto do envelhecimento nas variáveis antropométricas, neuromotoras e metabólicas da aptidão física. Revista Brasileira de Ciência e Movimento. Vol. 8. 2000. p. 21-32.

-Miranda, L.C.V.; Soares, S.M.; Silva, P.A.B. Qualidade de vida e fatores associados em idosos de um Centro de Referência à Pessoa Idosa. Ciência e Saúde Coletiva. Vol. 21. Num. 11. 2016, p. 3533-3544.

-Molzahn, A.E.; Pagé, G. Field testing the WHOQOL-100 in Canada. Canadian Journal of Nursing Research. Vol. 38. Num 3. 2006, p. 106-123.

-Mourão, C.A.; Silva, N.M. Influência de um programa de atividades físicas recreativas na autoestima de idosos institucionalizados. Revista Brasileira de Ciências do Envelhecimento Humano. Vol. 7. Num 3. 2010. p. 324-334.

-Neri, A.L.; Vieira, L.A.M. Envolvimento social e suporte social percebido na velhice. Revista Brasileira de Geriatria e Gerontologia. Vol. 16. Num. 3. 2013. p. 419-432.

-Park, S.H.; Han, K.S.; Kang, C.B. Effects of exercise programs on depressive symptoms, quality of life and self-esteem in older people: A systematic review of randomized controlled trials. Applied Nursing Research. Vol. 26. Num. 4. 2014, p. 219-226.

-Petreça, D.R.; Benedetti, T.R.B.; Silva, D.A.S. Validação do teste de flexibilidade da AAHPERD para idosos brasileiros. Revista Brasileira de Cineantropometria e Desempenho Humano. Vol. 13. Num. 6. 2011. p. 455-460.

-Rebelatto, Jr.; Cavo J.I.; Orejuela, J.R.; Portillo, J.C. Influência de um programa de atividade física de longa duração sobre a força muscular manual e a flexibilidade corporal de mulheres idosas. Revista Brasileira de Fisioterapia. Vol. 10. Num. 1. 2006. p. 127-132.

-Rejeski, W.J.; Brawley, L.R. Functional Health: Innovations in research of physical activity with older adults. Medicine Science in Sports Exercise. Vol. 38. Num. 1. 2006. p. 93-99.

-Rikli, R.E.; Jones, C.J. Development and validation of a functional fitness test for community residing older adults. Journal of Aging and Physical Activity. Vol. 7. 1999. p. 129-161.

-Robortella, C.N.; Rocha, S.M.; Wildner, W.R.; Gorgatti M.G. Reprodutibilidade de uma bateria de testes de atividade de vida diária para indivíduos idosos com deficiência visual. Revista Brasileira de Ciência e Movimento. Vol. 16. Num. 4. 2008. p. 1-21.

-Skevington, S.M.; Sartorius, N.; Amir, M.; WHOQOL Group. Developing methods for assigning quality of life in different cultural settings: the history of the WHOQOL instruments. Social Psychiatry and Psychiatric Epidemiology. Vol. 39. Num.1. 2004. p. 1-8.

-Tavares, D.M.S.; Matias, T.G.C.; Ferreira, P.C.S.; Pegorari, M.S.; Nascimento, J.S.; Paiva, M.M. Qualidade de vida e autoestima de idosos na comunidade. Ciência e Saúde Coletiva. Vol. 21. Num. 11. 2016. p. 3557-3564.

-Vale, R.G.S.; Barreto, A.N.G.; Novaes, J.S.; Dantas, E.H.M. Efeitos do treinamento resistido na força máxima, flexibilidade e na autonomia funcional de mulheres idosas. Revista Brasileira de Cineantropometria e Desempenho Humano. Vol. 8. Num. 4. 2006. p. 52-58.

-Vale, R.G.S.; Novaes, J.S.; Dantas, E.H.M. Efeitos do treinamento de força e flexibilidade sobre a autonomia de mulheres senescentes. Revista Brasileira de Ciência e Movimento. Vol. 13. 2005. p. 33-40.

-WHOQOL Group. Versão em português dos instrumentos de avaliação de qualidade de vida. FAMED - Universidade Federal do Rio Grande do Sul/HCPA, 1998a. Disponível em: . Acesso: 14/01/2016.

-World Health Organization Quality Of Life (WHOQOL) Group. Development of the WHOQOL: rationale and current status. International Journal of Mental Health. Vol. 23. Num. 3. 1994. p. 24-56.

-World Health Organization Quality Of Life (WHOQOL) Group. Development of the World Health Organization WHOQOL-Bref quality of life assessment. Psychological Medicine. Vol. 28. 1998b. p. 551-558.


Apontamentos

  • Não há apontamentos.


Creative Commons License Todo o conteúdo deste periódico, exceto onde está identificado, está licenciado sob uma Licença Creative Commons

RBPFEX - Revista Brasileira de Prescrição e Fisiologia do Exercício

IBPEFEX - Instituto Brasileiro de Pesquisa e Ensino em Fisiologia do Exercício

Editor-Chefe: Francisco Navarro. E-mail para contato: aqui

Editor Gerente: Francisco Nunes Navarro. E-mail para contato: aqui